Estudo que demonstra eficácia da Cannabis na dor recebe prêmio

Estudo que demonstra eficácia da Cannabis na dor recebe prêmio

O estudo, realizado por Samuel José Dornelas Ferreira e financiado pela Abrace, é o primeiro colocado no XIII Prêmio Carlos Ribeiro Diniz

Por Rede Abracom

Um estudo que demonstra a eficácia do óleo rico em canabidiol no tratamento da dor refratária foi eleito o melhor na categoria graduação do XIII Prêmio Carlos Ribeiro Diniz. A pesquisa mostrou ainda que o CBD é forte candidato ao tratamento terapêutico.

Samuel José Dornelas Ferreira, aluno da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), foi o primeiro colocado com o trabalho intitulado ‘Investigação do mecanismo molecular do efeito entourage do óleo rico em canabidiol (CBD) no tratamento da dor’, realizado em 2020. O prêmio é uma realização da Fundação Ezequiel Dias (Funed).

O estudo lembra que há registros de que o extrato da Cannabis foi utilizado pelos chineses no tratamento da dor desde o ano de 2900 a.C. Já no ocidente, o uso terapêutico ocorreu apenas no século XIX.

O CBD, de acordo com o estudo, se mostrou capaz de bloquear o canal responsável pela dor. “A curva de recuperação da inativação do canal sugere que o óleo inibiu a transição do estado inativado para o estado fechado do canal, dificultando a recuperação do estado inativado e, portanto, sua disponibilidade para abertura”.

O trabalho foi financiado pela Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace). A Abrace esteve sempre disposta a auxiliar pesquisas a fim de averiguar todas as possibilidades da planta no uso medicinal, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) orientou de forma contrária a esta iniciativa, fazendo com que a Associação passasse a não mais poder fazer com que isto aconteça.

Na última semana, o Governo Federal fez um corte no orçamento de financiamento de pesquisas no país. O Ministério da Economia alterou o projeto de lei que descontingenciava verbas do fundo para uso do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e do CNPq retirando 87% dos recursos disponíveis.

O golpe, sofrido pela ciência, fez com que R$ 600 milhões fossem retirados deste fim. A Abrace acredita que quanto mais estudos forem realizados mais será possível saber a respeito da Cannabis e suas potencialidades, ajudando no tratamento de diversas pessoas no Brasil e no exterior.

A Associação continuará com um esforço para fazer com que pesquisas possam prosseguir e, assim, o futuro demonstre, cientificamente, tudo o que a Cannabis é capaz de fazer pela saúde da população. É preciso criar mecanismos que desburocratizem a pesquisa no Brasil, viabilizando que todos que tem interesse em apoiar possam concretizar de maneira diversa o seu apoio.