Tese de doutorado fala sobre importância social da Cannabis

Tese de doutorado fala sobre importância social da Cannabis

A Abrace foi ponto de pesquisa para o estudo que busca entender e eliminar o preconceito contra a Cannabis Medicinal

Estudar mobilizações promovidas pelas associações de pacientes usuários de Cannabis terapêutica na Paraíba. Este foi o tema da tese de doutorado de autoria de Natália de Campos, Antropóloga e Professora da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

Graduada em Ciências Sociais, Mestre e Doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natália decidiu ir a fundo no estudo sobre a Cannabis e sua utilização, foi então que ele fez sua pesquisa junto à Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace).

“A pesquisa aponta para a relevância das associações da Paraíba para as conquistas de visibilidade, aceitação social e reconhecimento jurídico da demanda pelo uso medicinal da maconha no âmbito nacional e sobretudo estadual. Neste contexto, a pesquisa aponta para o protagonismo da Abrace e da Liga Canábica como associações pioneiras no Brasil, atuando em diferentes frentes”, explicou Natália.

Ela falou que a Abrace demonstra seu pioneirismo posto frente a sua autorização judicial para produzir e distribuir derivados terapêuticos da maconha. A Associação tem uma liminar deferida pela Tribunal Regional Federal da 5ª Região que a autoriza a plantar, colher, manusear a planta, além de produzir e distribuir medicamentos a base de Cannabis para seus associados.

Natália ainda aponta que a Liga Canábica se destaca pelas articulações políticas e sociais de visibilidade e promoção de conhecimentos sobre as possibilidades terapêuticas da planta. A necessidade do trabalho desempenhado por ambas tem um cunho social.

“O objetivo foi demostrar como a atuação deste tipo de organização tem protagonizado os avanços sobre o uso medicinal da maconha no Brasil, enfrentando inúmeras dificuldades e mesmo assim conseguindo avanços legais, morais e sociais desta pauta”, acrescentou.

A pesquisa na Abrace foi conduzida visitando as instalações e entrevistando parte dos funcionários da associação de diferentes setores, como acolhimento, cultivo, laboratório de produção e administrativo, além de diretores. “Conhecendo a estrutura física e organização da associação, pude constatar os cuidados que a Abrace tem com os seus pacientes associados no acolhimento e também no seu processo de produção. Ao cruzar estas características, a minha pesquisa evidencia que o trabalho da Abrace tem relevância fundamental para o tema da Cannabis Medicinal no Brasil e o reconhecimento disso é a autorização judicial que a associação obteve que permite a legalidade das suas atividades”.

Mas ainda há muito o que avançar. Ela acredita que a divulgação dos fatos e estudos relacionados ao uso medicinal da Cannabis é necessário para que haja entendimento e conhecimento do que está planta pode fazer pela saúde de milhares de pessoas.

“Entre as questões mais sensíveis para o avanço deste tema estão a necessidade de difundir informações sobre as potencialidades terapêuticas desta planta para a população e também para a classe médica, porque ainda há muito estigma e preconceito sobre essas possibilidades de tratamento, a e base deste preconceito está na desinformação, inclusive da classe médica”, afirmou.

Segundo Natália, é importante que esse tema avance nas esferas políticas e jurídicas para que estas terapias alcancem uma condição legal definitiva que seria importante para que cientistas brasileiros possam desenvolver ainda mais pesquisas sobre o uso medicinal da maconha e tornar essas terapias acessíveis à população.

“A partir da minha pesquisa, o que percebo é que há um conjunto de aspectos políticos, morais e legais que dificultam que estas terapias sejam efetivadas como possíveis para o tratamento de saúde de tantas pessoas que poderiam ter sua qualidade de vida melhorada com o uso terapêutico da Cannabis, mas que, em razão da proibição e dos preconceitos que envolvem esta planta, não tem acesso a ela, seja por medo ou por razões legais”, disse.

A tese pode ser acessada pelo site da UFRN com o título "O remédio vem de uma planta que eu não posso plantar: mobilização e articulação pelo uso terapêutico da maconha na Paraíba”.