Campanha do Março Amarelo e Lilás traz o debate sobre a endometriose e o câncer de colo do útero

A campanha do Março Amarelo e Lilás promove conscientização sobre a endometriose e o câncer de colo do útero (ou câncer cervical). Essas enfermidades podem ser assintomáticas em seus estágios iniciais, então é de suma importância darmos atenção e conhecer seus principais sintomas, formas de prevenir e tratar.

Março Amarelo (endometriose)

A endometriose ocorre quando o tecido que normalmente encontra-se dentro do útero passa a crescer fora dele. O tecido responde às mudanças hormonais ao longo do ciclo menstrual como se estivesse dentro do útero, causando dor. A doença geralmente afeta pessoas de 30 a 45 anos de idade.

Setenta por cento das pessoas acometidas pela endometriose apresentam dores durante a menstruação. Além disso, podem ter dor na pelve, região lombar, abdômen e durante o sexo. Apesar de não ser cancerosa, é uma doença invasiva. Podendo se espalhar por toda a pelve, incluindo as trompas de falópio, ovários e parede do útero.

Em geral, o diagnóstico é difícil porque os exames clínicos podem não indicar alterações. O diagnóstico definitivo é feito por laparoscopia pélvica com posterior confirmação histológica. A endometriose também afeta a saúde mental, especialmente devido à falta de achados definitivos e descrença sobre suas dores. Não existe “cura” para o caso, apenas tratamentos de sintomas, especialmente da dor.

Proposta pela primeira vez pelo Dr. Ethan Russo, a endometriose é considerada uma condição de Deficiência Endocanabinóide Clínica (CED). A teoria sugere que, em alguns casos, o corpo não produz endocanabinóides ou receptores suficientes para que o sistema endocanabinóide funcione adequadamente, tornando-o disfuncional, causando desequilíbrio e tornando mais propenso o surgimento da doença.

Estudo realizado em 2020 na Espanha usou camundongos para criar um cenário de endometriose. Os dados mostraram que o THC diminuiu a dor pélvica e também os comprometimentos cognitivos. Os testes foram feitos utilizando apenas o THC.

Uma pesquisa realizada na Austrália em novembro de 2019 verificou que 12,5% das mulheres com endometriose usam cannabis para aliviar a dor. Os participantes classificaram a planta como uma maneira eficaz de gerenciar seus sintomas relacionados à doença.

Mais pesquisas são necessárias para entendermos melhor a endometriose, mas a cannabis medicinal mostra-se um tratamento eficaz, tendo em vista que age como anti-inflamatório, relaxante muscular, estimulante do humor, atua sobre o sono e como analgésico, gerando alívio para os pacientes.

Março Lilás (câncer de colo do útero)

O câncer do colo do útero acontece quando há uma replicação desordenada de células que revestem o órgão. Existem duas principais categorias de câncer do colo do útero: o carcinoma epidermóide e o adenocarcinoma. Os dois tipos têm como fator principal a infecção persistente por tipos oncogênicos do Papiloma Vírus Humano (HPV).

Segundo o INCA, o câncer de colo do útero é uma doença de desenvolvimento lento, que pode ser assintomático em fase inicial e evoluir para quadros de sangramento vaginal intermitente ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal em associação a queixas urinárias ou intestinais em casos mais avançados.

De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, existe uma incidência de 570 mil casos novos por ano no mundo, sendo o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres. Além disso, é responsável por 311 mil óbitos anualmente.

Para que o número de mortes por câncer de colo do útero seja reduzido, é necessário promover a prevenção. Tendo em vista que o vírus HPV é uma das principais causas, é importante que a população se proteja contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s), utilizando preservativo.

Além disso, é recomendado que pessoas a partir dos 25 anos de idade, que tenham (ou já tiveram) vida sexual ativa, façam o exame de Papanicolau. Inicialmente deve ser feito por dois anos consecutivos e, caso os exames não indiquem lesões, deve ser realizado a cada 3 anos. Outra forma de prevenção disponível é a vacinação dos adolescentes. Jovens a partir dos 9 anos de idade podem receber a vacina anti-HPV gratuitamente pelo SUS.

A Cannabis também pode ajudar no tratamento. Estudos mostram que o canabidiol (CBD) atua na inibição da proliferação celular, na apoptose (morte celular programada) das células cancerígenas, altera as células neoplásicas e a modulação do microambiente tumoral. Além disso, foram verificados benefícios clínicos, como a diminuição do tamanho de tumores.

O Tetrahidrocanabinol (THC) e o CBD possuem ações antineoplásicas e anti-inflamatórias, sendo eficazes nos tratamentos de câncer e sua ação combinada gera o aumento da capacidade de combate ao câncer por meio da diminuição da viabilidade e migração celular, como observado em estudos com Glioblastoma Humano, em que essa combinação influencia na apoptose do glioblastoma e inibe a proliferação do tumor. Ademais, o CBD atenua possíveis efeitos colaterais do THC.

Os canabinoides podem ser utilizados

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