Falta de regulamentação impacta avanços em pesquisas sobre C4nn4bis medicinal no Brasil, apontam especialistas

Por Rede Abracom Com informações do G1 Campinas e Região

Matéria do G1 Campinas traz relatos de pesquisadores manifestando a dificuldade para se pesquisar sobre C4nn4bis

Em entrevista ao portal G1 Campinas e Região, pesquisadores falaram sobre a insegurança jurídica e barreiras de investimentos em pesquisas sobre C4nn4bis medicinal no Brasil devido a falta de regulamentação de uso e cultivo da planta. Os profissionais relatam que pela falta de regulamentação, os pesquisadores sofrem para conseguirem aprovar seus projetos e conseguirem financiamento. A fundadora da Sociedade Brasileira de Estudos da C4nn4bis sativa, Eliana Nunes, abordou a falta de apoio devido a insegurança jurídica para pesquisar sobre a planta.

“Por falta da regulamentação completa, nós pesquisadores não conseguimos trabalhar. Já vi vários depoimentos de alunos que querem pesquisar isso, mas quando pedem financiamento, pedem aprovação, são barrados”, disse.

Ela acredita que se a regulamentação fosse uma realidade, não só os pesquisadores estariam pesquisando, mas produzindo mais pesquisas, pois para que estudos sejam realizados, ainda se faz necessário liminar na Justiça.

A psiquiatra Ana Hounie lembra que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) conseguiu uma liminar para realizar pesquisas e defende que as associações de pacientes também tenham seu protagonismo em uma possível regulamentação. “Mas se o Congresso finalmente liberasse o cultivo para pesquisa e para as associações cultivarem e produzirem os remédios que os pacientes usam, seria muito melhor”, pontuou a pesquisadora.

A presidente da Federação de C4nn4bis Terapêutica (FACT), ngela Aboin defende que as associações pesquisem e desenvolvam soluções medicinais acessíveis. “A indústria não precisa de apoio. Ela já tem apoio próprio, ela já tem verbas, mas as associações não têm. A gente entende que precisa ter uma aproximação dos poderes públicos para poder, não só produzir, mas produzir com segurança, eficácia e respeito”, afirma Angela.

Hounie enfatiza que a iniciativa deve ser pensada para as associações e aponta modelo israelense de regulação de C4nn4bis. “O ideal seria a permissão do cultivo aqui no Brasil para fazer pesquisa e pelas associações”.

Segundo a pesquisadora, modelo de regulação praticado em Israel pode ser referência, a preparação do profissional já é um programa de Governo. “O Governo tem um programa de c4nn4bis medicinal em que os médicos que querem trabalhar precisam fazer curso e obter certificação para poder estar na lista dos que prescrevem o tratamento. É muito controlado, você tem que fazer o curso, tem que demonstrar que tem conhecimento e o governo subsidia os remédios. Você tem conhecimento e tem produtos à disposição para serem comprados e também para serem fornecidos pelo próprio governo”, afirma.

Tirar o tema do sentido criminal é um trabalho crucial, afirma ngela Aboin, pois por ser proibida no Brasil, armazenar a planta sem autorização, configura crime e é uma questão que dificulta a pesquisa.

“Precisamos dar liberdade para as pessoas falarem. É básico e está dentro da descriminalização. Isso é essencial para que a gente possa construir novos conceitos em relação à planta. Precisamos educar as pessoas sobre para que serve a maconha. Precisamos construir uma nova política de drogas, que é fundamental para evolução da sociedade”, concluiu Aboin.

SAC