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Cannabis pode inserir autistas na sociedade

Por  Rede Abracom

Lidar com o transtorno do espectro autista (TEA) pode ser complicado para quem recebe o diagnóstico. É comum as pessoas terem um estereótipo pragmático sobre o assunto e acreditarem que limitações existam sem possibilidade de ultrapassá-las.

Para Flavia Neves, este diagnóstico, em dezembro de 2019, trouxe alívio. Antes dele, vários problemas aconteceram, mas que foram resolvidos com o uso do óleo a base de cannabis. Ela contou que chegou a utilizar seis medicamentos psiquiátricos de uso diário que não trouxeram benefícios.

Ela utilizou antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos, anticonvulsivantes, ansiolíticos, além de injeções de bloqueio anestésico. Hoje, ela usa o óleo e não precisa mais usar qualquer remédio fármaco.

“O óleo me deu uma vida. No horizonte em que eu vivia, só conseguia sonhar com um pouco de alívio. Mas à medida que fui encontrando qualidade de vida, eu percebi que sofrer não é uma condição própria do viver. Não é aceitável uma pessoa viver em tamanho sofrimento, e isso não deveria ser a minha realidade nem a de ninguém. Eu só queria um pouco de alívio, mas recebi uma vida nova”, falou.

Flavia explicou que ações do dia a dia eram complicadas de serem realizadas. Ela tinha dificuldade para trabalhar e ter relacionamentos sociais, por exemplo, o que mudou completamente.

“Hoje tenho uma rotina, o que é indispensável para conquista e manutenção da autonomia. Consigo fazer coisas simples que antes geravam grande sofrimento e crises, como tomar banho, gerenciar minha alimentação e minha casa, trabalhar, ter prazer, relaxar, cumprir compromissos, etc. Para muitas coisas eu preciso de suporte, e está tudo bem. Sinto que melhoraram até o foco, o aprendizado e a flexibilidade cognitiva, e ela me permite pensar em saídas para aquilo que não consigo fazer sozinha”, detalhou.

Mas ela acrescentou que um dos maiores benefícios é o equilíbrio sensorial, uma questão do autismo ainda pouco falada e fonte de muito sofrimento. “Os canabinoides, em especial o THC, têm um papel importantíssimo na regulação sensorial. Então até orgasmos eu praticamente não conseguia ter antes, pois os estímulos desencadeavam sobrecarga sensorial e, às vezes, até crises”.

Para a muitos autistas, um grande problema é receber cobranças para olhar nos olhos das pessoas. Flavia contou que ela até consegue fazer isso, mas sente que isto complica quando se sente obrigada a fazer.

“Se eu me sinto pressionada ou obrigada a olhar nos olhos, sinto grande desordem cognitiva. As palavras ditas se embolam, o som vai ficando cada vez mais uma massa sonora amorfa. Preciso fazer um esforço excruciante para acompanhar o diálogo. É uma tortura ser obrigada a não agir genuinamente. Infelizmente, esse é o objetivo de muitos fármacos e terapias famosas: nos tirar nossas expressões genuínas, que de inadequadas nada têm. É apenas uma neurodiversidade. Um modus operandi distinto”, disse.

A falta de apoio médico também foi um problema para Flavia. Alguns profissionais da área acreditavam apenas nos medicamentos fármacos, mesmo com vários estudos comprovando a eficácia da Cannabis Medicinal.

“Muitos autistas que passaram por terapias como ABA apresentam quadro de estresse pós-traumático. Eu não fiz ABA, mas passei por profissionais que atuavam nessa perspectiva de psiquiatria da ordem pública. Então mesmo sem o diagnóstico certo, eu era conduzida às condutas do padrão constantemente. Sofri violência simbólica nos consultórios psiquiátricos. E também desenvolvi estresse pós-traumático. Hoje já não tenho mais esse quadro, nem tenho mais pânico de médico, embora ainda tenha ojeriza de maus médicos, e isso não pretendo deixar de ter”, afirmou.

ABA é abreviação para Applied Behavior Analysis, também conhecida como Análise do Comportamento Aplicada. A ABA tenta inserir autistas na sociedade utilizando métodos comportamentais não comuns a que tem autismo. “Nenhuma terapia ou tratamento deve ter como objetivo tornar alguém ‘menos autista’, até porque isso é impossível. Não há cura pro que não é doença. Mudar os comportamentos de uma pessoa não muda sua essência, seu funcionamento cerebral, mas pode matá-la por dentro, já que pra ser aceita ela precisa abrir mão de ser ela mesa. E com o óleo eu recebo alívio no que é difícil, me desenvolvo, sem ter minha natureza reprimida, meus comportamentos patologizados ou meus sentimentos embotados, como acontece com fármacos por exemplo”.

Assim, a Cannabis mudou a vida de Flavia e a inseriu na sociedade sem obrigações de mudanças no comportamento.

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