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Sou autista, muito prazer!

Por Rede Abracom

O dia 2 de abril é o dia Mundial de Conscientização do Autismo. É um dia para potencializarmos a circulação de informações relevantes sobre o espectro. Se a ideia é combater a discriminação e o preconceito, que os próprios interessados sejam reconhecidos como os principais atores da causa: os autistas.

Eu fico muito feliz de perceber que um número cada vez maior de autistas tem encontrado espaço para se expressar e mostrar ao mundo um pouco de como somos e do que precisamos, nossos talentos e limitações, sob nosso ponto de vista. Fico mais feliz ainda de perceber que não só autistas de grau 1 de suporte têm podido se pronunciar.

Ainda que lentamente, é perceptível um aumento do número de relatos de autistas grau 2 e 3 acerca de suas percepções de mundo e experiências de vida. Eu mesma aprendo muito sobre mim lendo os escritos de meus semelhantes, muito mais do que aprendi em duas décadas de terapias inadequadas.

Essa é uma data para falarmos que meninas autistas não são raras nem exceções, estão é subdiagnosticadas e mal assistidas. Para falar que é elevadíssimo o percentual de autistas que estão fora do mercado de trabalho por falta de compreensão e inclusão.

Para falar sobre as graves falhas no respeito aos direitos humanos que têm afastado de autistas adultos a oportunidade de um diagnóstico correto e de assistência adequada. Para entender que adaptações não são prêmios, brindes ou concessões, mas um direito e uma questão de equidade e justiça.

Para falar que existem sim estudos científicos sobre o uso da cannabis para a melhora do desenvolvimento e da qualidade de vida de autistas, e negar essa oportunidade é falhar com os direitos humanos.

Para falar que o autismo não é uma doença, mas uma neurodiversidade, e como qualquer outra diversidade humana merece ser respeitada e incluída, não “moldada para caber”.

Com tudo isso, não posso deixar de me perguntar: como poderemos incluir um grupo de pessoas quando mal as conhecemos? Então é esse o convite que faço neste dia 2 de abril. Você já leu textos de algum autista? Já ouviu opiniões e percepções de mundo que muitos de nós têm trazido à tona?

Procure nos conhecer, nos escutar, ler as pesquisas científicas que muitos de nós têm feito. Vamos dialogar, desfazer mitos e estereótipos, nos aprofundar nas peculiaridades do espectro, aprender juntos sobre como é possível aceitar as diferenças e promover inclusão verdadeira.

Somente com a desconstrução dos estigmas que poderemos mostrar ao mundo que o autismo não é um mistério, não é um fardo, não é um castigo, não é um mundinho à parte, nem uma condenação. Precisamos de suporte e adaptações sim, uns muito mais do que os outros, o que não desmerece ninguém. Mas não somos só limitações. Também temos potenciais, sentimentos, talentos, percepções e contribuições a oferecer ao mundo.

Uma vez que as barreiras que dificultam a inclusão são removidas, nosso desenvolvimento acontece. Vamos presumir competência em cada existência humana e afastar de vez as pressuposições de incapacidade que, tão discreta mas tristemente, permeiam nossas falas e ações no cotidiano.

Que sejamos capazes de construir um mundo em que todas as formas de existência são compreendidas, valorizadas e incluídas.

Flavia Neves, 31 anos, associada da Abrace, teve diagnóstico de autismo aos 30 anos, depois de uma longa jornada sem respostas, e só depois disso conseguiu se entender, gozar de inclusão nos meios em que vive e desfrutar de qualidade de vida.

As doações podem ser feitas pelo link http://www.benfeitoria.com/abracenaopodeparar

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