Proibicionismo e preconceito racial: o berço da criminalização

Entenda de que forma o preconceito contra a cultura e o povo preto influenciou na proibição da maconha

Por Rede Abracom

Um resumo da obra de Luisa Saad, publicado na revista Lugar de Livro pela autora Daniela Ferrugem, traz informações sobre como a relação entre o preconceito e o proibicionismo da maconha estão associados. A pesquisadora afirma que a proibição do uso não tem base científica, mas sim totalmente preconceituosa.

“Não foi respaldada em argumentos científicos. Ela foi mais assentada em um pânico moral, que buscou na criminalização da planta a criminalização das pessoas que faziam uso dela, associada aos negros tanto como fumo quanto como artigo que constituía seus rituais religiosos”.

No Museu Brasileiro da Cannabis, uma linha do tempo conta a história do proibicionismo. O recepcionista responsável por guiar os visitantes no Museu da Cannabis, Alisson Lima, relembra um período histórico do Brasil onde Governo de Getúlio Vargas também se utilizou de estigmas racistas para proibir a maconha no país.

“Em 1932, Getúlio Vargas reforçou o ato proibicionista feito em 1913 pela Califórnia, porém ele faz com um cunho muito racial quando proíbe por um momento no Brasil a maconha, capoeira e o candomblé. Tudo de matrizes africanas”.

Alisson cita também obras da literatura que reforçam o estigma preconceituoso em volta do tema maconha. “Existe também o livro maconha, de 1958, cuja capa é um preto de cabeça oca, nele contém toda uma opressão ao povo africano e correlação dos sintomas do ato fumado à criminalidade”, disse.

As proibições sempre estiveram associadas às questões de preconceito racial contra população preta em nosso país. É importante refletir neste momento de consciência negra acerca da origem desse preconceito que levou ao proibicionismo da maconha no Brasil.

SAC